sábado, 3 de abril de 2010

Parte Dois

Oh, que maravilhoso, que agradável!

No meu minúsculo, imundo, apartamento de um quarto, com uma piada cheia de pratos sujos e um chão literalmente coberto de roupas, eu atualmente experimentei uma viagem!

As paredes oscilando e se contorcendo enquanto o ar-condicionado respira profundamente. Sr. Auto-falante Estéreo está falando.

Oh! Tudo está vivo. Nós somos todos um mundo.

Sr. Refrigerador boa noite

Sr. Kotatsu, obrigado por me aquecer.

Sr. Cama, você é a cama mais confortável.

Sr. TV, Sr. Computador e todos os outros que conheci até o momento, obrigado a todos.

“Sr. Satou, saia de sua vida de kikikomori logo!”

Oh, pessoal, vocês estão me apoiando? Obrigado, obrigado. Nada pode me fazer mais feliz. Agora, eu irei ficar bem. Com o caloroso apoio de todos, eu posso escapar da minha vida como hikikomori.

Por favor, vejam. Olhem, agora eu estou prestes a sair. São três horas da manhã, mas isso não irá me impedir. Eu estou prestes a escapar deste quarto indo para um vasto mundo.

Porém, está frio, devo me vestir apropriadamente. Aqui vamos nós. Por minhas roupas, chapéu, e jaqueta. Tudo pronto.

Okay, estou indo lá fora. Hora de dizer adeus para toda essa coisa de hikikomori. Até mais.

Adeus.

Por alguma razão, a porta do meu apartamento não queri abrir. Por que? Por que ela não quer abri?

A ansiedade me consumia. Alguém estava interferindo com minha fuga.

“Isso é certo. Sr. Satou, se você for, não poderá se tornar um hikikomori nunca mais.” Os auto-falantes me informaram.

Então?

“Alguém esta no seu caminho.”

Todo o choque que recebi de uma frase dita por auto-falantes, era indescritível.

Interferência.

Agora que mencionou, eu lembro de quando eu me iniciei minha vida de hikikomori.

Tinha sido em um dia de verão horrorosamente quente.

Eu fui com tudo, caminhando para a ladeira da escola.

O suro escorria constante e incomodo pela minha nuca.

Havia poucas pessoas na rua – talvez uma dupla de donas-de-casa indo para casa das compras e alguns jovens da mesma escola que eu. Eu passei direto, entretanto.

Entretanto, minha jornada para escola nesse dia foi decididamente diferente das de outros dias. Todos que passavam olhavam para mim. E eu estava absolutamente certo de que mesmo que estivesse tudo muito, muito quieto–tão quieto quanto se eu tivesse perdido os ouvidos – cada um deles deixou sair uma risadinha. Disso, eu estava certo.

Isto é verdade

Eu estou certo.

Cada um deles me viu, e estava me ridicularizando! As donas de casa e os estudantes, todos me viram e riram de mim.

Eu estava abismado. Por que? Por que eles ririam de mim?

“Eu, olha esse cara. Tem algo errado com ele, huh?”

“Eca, que horror. Eu queria que ele não saísse de casa.”

“Ha ha ha. Ele parece um completo idiota.”

Não podia ser... Provavelmente não era... Não podia ter sido... Apenas um complexo de perseguição da minha parte.

Ouvindo atentamente, eu tinha certeza que tinha ouvido eles, suas vozes zombando de mim.

Desde então...

Desde então tenho medo de ir lá fora...

Os auto-falantes chiaram. “Esta certo. Essas pessoas que riram de você eram operativos da interferência. Isso definitivamente não é um complexo de perseguição, Sr. Satou. Eles usaram sua alma inocente, fácil de magoar, contra você, transformando você em um hikikomori.”

Ah!Isso foi o que aconteceu! Nesse momento, a profunda escuridão que havia coberto meu espírito por tanto tempo finalmente desapareceu.

Em suma, até este ponto, alguém, estava me manipulando psicologicamente. Pensando desse jeito, agora tudo faz sentido! Quem faria esse tipo de coisa? Por que?

Eu não tenho idéia. Nenhuma idéia.

Só então, a minha televisão então sussurrou, “A N.H.K. é mantida com a ajuda de espectadores como você.” Essas palavras, quase imperceptíveis. Começaram a me agitar por alguma motivo. N.H.K.... Senti que dentro dessas três palavras do alfabeto algum tipo de segredo se escondia.

Isso não era algum simples delírio de grandeza ou um absurdo ridículo. Mesmo estranho em meia a uma viagem em alucinógenos poderosos, isso não significava que eu tinha perdido a capacidade de fazer algum julgamento sóbrio. Na verdade, meu cérebro estava funcionando melhor do que em todos os 22 anos da minha vida inteira.

Um mais um é dois. Dois mais dois é quatro. Veja, meu processo lógico funciona perfeitamente.

Por isso eu preciso pensar. Agora, eu preciso pensar!

N.H.K., nessas três letras se esconde um enorme segredo que tem haver comigo.

Para todos os efeitos, não era mais que um simples palpite, mas eu não podia ter duvidas sobre sua veracidade. Podemos chamar essa idéia de uma revelação divina. Não é mesmo exagero chamar isso de iluminação.

No entanto, hm... Minha familiaridade prévia com a N.H.K. veio a mente. Pensando sobre isso, eu me lembro de quando era pequeno, eu gostava da N.H.K. na escola primaria, eu vi Nadia: O Segredo Do Mar Azul. Esse era um anime interessante.

Huh, anime...

Mencionando animes me vem a imagem de otakus, eles são não tem muito contato humano, pessoas que não tem muito contato humano se tornam hikikomoris.

Realmente?

Eu vejo! Agora sim, a conexão direta entre a N.H.K. e os hikikomoris, finalmente pude ver o que devia ser obvio para todos. Em resumo, produzindo animes bem interessantes, a N.H.K. produz em massa otakus de anime, consequentemente criando hikikomoris em larga escala. Caramba!

Que coisa suja pra se fazer!

No entanto, agora eu tropecei sobre sua conspiração. Tendo chegado tão longe, era estava à só uma etapa para a solução perfeita do mistério. Deitei minha cabeça no kotatsu, e me devotei ao pensamento.

Graças às drogas, meu campo de visão estava girando. Todos os móveis do quarto estão me aplaudindo juntos.

Certo! Com a ajuda dos meus amigos móveis, ninguém podia me parar.

Não era como se os operativos da interferência fossem me perseguir para sempre. Essa era a hora do contra-ataque. Eu irei fazer vocês se arrependerem de terem zombado de mim.

Só mais um passo...

Eu estou bem próximo de resolver todos esses mistérios. TV, Kotatsu, Computador, por favor me emprestem seu poder!

E então, nesse momento, eu tive uma revelação divina. Especificadamente, foi mandada direto para meu cérebro, na forma de um provérbio: “O nome diz tudo.”

Basicamente o nome N.H.K. pode revelar a realidade da organização. N.H.K significa “Nippon Housou Kyoukai”, mas não deve ser o único significado. Deve ter outro sentido, um sentido duplo secreto, tem de existir.

N.H.K., N.H.K., N.H.K... Fiquei resmungando essas três letras para mim mesmo, repetidas vezes.

N significa Nipônico. Se for assim H deve ser...

Entendi! Era tão simples! O mistério foi finalmente resolvido. Eu descobri o que está por trás de tudo. H significa Hikikomori! Em outras palavras, N.H.K. representa “Nippon Hikikomori Kyoukai”, Associação Japonesa de Hikikomoris!


Minha batalha começou naquele dia.

Enquanto eu estava tropeçando em alucinógenos, eu falhei em perceber que o motivo da porta do apartamento não abrir, é que eu o havia trancado. Esse era só um pequeno problema dos que tinha em mãos, no entanto.

Não importa o que, eu tenho de lutar. A partir deste dia eu tenho de derrotar a N.H.K., i devo lutar bravamente. Eu absolutamente não irei perder.

Mesmo que as vezes, o que eu quero é morrer...


Capitulo 01

Nascimento De Um Soldado

Parte Um

Em uma fria, uma fria noite de janeiro, eu aprendi sobre a existência das conspirações.

No meu pequeno apartamento, de um quarto, eu estava escondido debaixo do meu kotatsu¹. Era uma noite melancolicamente fria.

Apesar de ser um novo milênio, não havia nenhuma esperança à vista. Eu mesmo chorava enquanto comia minha sopa de ano novo.

Para um desempregado, de vinte e dois anos, que largou a faculdade, o frio do inverno é penetrante. No meio do meu quarto imundo, com roupa suja jogada no chão e cheirando a fumaça de cigaro impregnado na parede, eu suspirei mais e mais.

Como as coisas chegaram a este ponto?

Era tudo que eu conseguia pensar.

“Ah,” Eu gemia.

Se eu não sair da minha situação atual logo, eu acabarei caindo completamente e desaparecendo da sociedade normal. Pior ainda, eu já tinha largado a faculdade. Eu preciso encontrar um trabalho logo e voltar para a sociedade.

Eu simplesmente... Não posso fazer isso.

Por que? Qual seria a razão?

A resposta é simples: Eu sou um hikikomori.

Atualmente, o mais quente e popular, novo fenômeno social –– hikikomori, esse sou eu. Um recluso.

Eles dizem que tem aproximadamente dois milhões de hikikomoris vivendo no Japão. Dois milhões é um número extraordinário. Se alguém joga uma pedra na rua, deve acertar um hikikomori... Claro, isso não aconteceria realmente. Hikikomoris não vão lá fora, afinal de contas.

Em todo caso, eu sou um desses hikikomoris, tão populares atualmente no Japão. Sem mencionar que eu era como um hikikomori veterano. Eu deixo meu quarto só uma vez por semana, para comprar comida e cigarros. Eu tenho zero amigos, e durmo dezesseis horas por dia.

Esse ano fazem 4 anos inteiros que eu vivo como um hikikomori. Meu estilo de vida me fez largar a faculdade.

Seriamente, eu era assustadoramente hikikomori, tanto que devia estar chegando a nível profissional. Não importa contra quem eu fosse, dificilmente perderia para algum outro hikikomori.

Na verdade, eu estou confiante que se tivessem “Olimpíadas internacionais Hikikomori”, eu iria me sair muito bem. Eu estou certo que bateria outros hikikomoris independente do país, seja um russo que foge através da vodka, um inglês que escapou através das drogas, um americano que achou saída atirando aleatoriamente dentro de casa.

Certo! O famoso fundador do Karate Kyokushin, Sr. Masutatsu Ohyama, também conhecido como “Mão-de-Deus”, supostamente se isolou nas montanhas durante sua juventude, em ordem de aprimorar seu espírito e se tornar o mestre de karate mais forte do mundo. Se você pensar sobre isso deste ponto, eu - que me tranquei neste apartamento por um certo número de anos – devo estar, neste momento, incrivelmente perto de me tornar o homem mais forte do mundo.

Bem, vale uma tentativa. Eu decidi pegar uma garrafa de cerveja e quebrá-la com um golpe com a mão.

"Hiii-ya!"


Enquanto enfaixava minha mão direita sangrando com uma atadura, voltei para baixo do meu kotatsu.

De qualquer maneira que você olhe, minha mente não tem funcionado direito ultimamente. Pode ser por causa das dezesseis horas de sono por dia? Ou seria por causa de eu ter evitado contato com outras pessoas por mais de meio ano?

Todo o resto do dia, meu cérebro permaneceu em um nevoeiro. Mesmo quando eu ia ao banheiro, meu andar estava instável.

Mas eu não me preocupei com tudo isso.

Meu problema mais imediato era como quebrar esse estilo de vida hikikomori desamparado.

Sim! Eu tenho de escapar dessa pútrida vida hikikomori o mais rápido possível. Um retorno a sociedade humana! Voltar atrás sobre o abandono! Eu irei trabalhar, achar uma namorada, e ter uma vida normal!

Se eu continuar assim, eu irei me tornar uma vitima do trauma. Se eu continuar com isso, eu serei desqualificado como ser humano. Eu preciso resolver isso agora!

Resolver, porém – tal como “Hoje é o dia, eu irei sair e achar um trabalho de meio período!“ – a idéia desapareceu como névoa, em menos de dez minutos.

Por quê? Por que isso?

Provavelmente minha ridícula longa vida como hikikomori tenha apodrecido as raízes do meu espírito.

E não posso mais comer enlatados. Eu tenho que fazer algo rapidamente.

Nesse ponto, eu decidi, para forçar meu espírito a se recuperar, tentar uma dessas drogas brancas que encomendei na internet.

Embora seja chamada de droga branca, não é um grande estimulante ou coisa assim. É perfeitamente legal, um alucinógeno relativamente poderoso. Contudo, embora legalizada, dizem que tem o mesmo quase o mesmo efeito do LSD. Age diretamente nos receptores de serotonina no cérebro e supostamente causa inacreditáveis e intensas visões.

Exatamente. Para escapar da minha triste situação, eu não tinha escolhe senão confiar no poder farmacêutico. Eu fui levado ao extremo de tentar estimular meu próprio cérebro violentamente com poderosos alucinógenos: “A iluminação atingida pela religião, e a iluminação atingida pelas drogas, no fim, são a mesma coisa.”

Ou algo como isso.

Se este é o caso, deixe-me ser iluminado através das drogas.

Eu irei alcançar a iluminação e escapar do meu eu-hikikomori e irei destruir meu espírito fraco e substituí-lo por uma forte e resistente coragem. Vou por só um pouco de droga branca no meu kotatsu e, em uma fungada, eu irei inspirar tudo.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009


Prefácio

 Nesse mundo, conspirações existem.

 No entanto, há mais de noventa e nove por cento de chances que as conspirações que soam plausíveis que você ouve falar pelos outros são simples desilusões ou mesmo mentiras intencionais. Quando você visita uma livraria, os livros com títulos como A Grande Conspiração Judaica Para Acabar Com A Economia Japonesa! ou A Super Conspiração Do Pacto Escondido Da CIA Com Aliens! são todos somente desilusões triviais.
 Mesmo assim. . . As pessoas adoram conspirações.
 Conspirações. Estamos irremediavelmente fascinados pelo som da palavra e seu eco agridoce.
 Considere, por exemplo, o processo pelo qual a teoria da Conspiração Judaica surgiu: O autor tem múltiplos complexos e sentimentos terríveis, “ Por que eu sou pobre? ”; “ Por que a minha vida não é mais confortável? “; “ Por que não consigo encontrar uma namorada? “ Sua mente e corpo são constantemente pressionados, por dentro e por fora. Aqueles rancores reprimidos tornam-se um ódio interminável pela sociedade. Tornam-se raiva.
 No entanto, a maior fonte de raiva é a sua própria covardia pessoal.
 Neste ponto, o teórico da conspiração projeta sua covardia no mundo exterior.
 Ele cria um “inimigo” fictício fora de si mesmo.
 Inimigo. Meu inimigo. Inimigo da sociedade.
 " Porque um inimigo conspira para fazer o mal, eu não posso encontrar a felicidade. Devido a esta conspiração, não consigo encontrar uma namorada. É isso! Tudo é por causa dos Judeus! Porque os judeus estão tramando longe lá fora, 
Eu não posso encontrar a felicidade. Malditos sejam, Judeus! Eu não vou perdoá-los!

 Verdadeiramente, esse tipo de coisa também é inconveniente para o povo judeu.
 Todos os teóricos da conspiração precisam olhar um pouco mais de perto a realidade.
 “ Inimigos “ não existem externamente. “ O Mal “ não existe externamente. Tem de assumir a sua culpa por ser uma pessoa inútil.
 Definitivamente isso não é uma conspiração judaica, nem uma conspiração da CIA, e – Talvez seja óbvio- não é uma conspiração alienígena. Antes de tudo, precisa-se manter esse fato em mente ao viver a vida.
 Mesmo assim...
 Uma pequena porcentagem de pessoas atualmente tem tropeçado em uma conspiração real. Há, de fato, uma pessoa que testemunhou com seus próprios olhos uma conspiração que existe, neste momento, no mais completo sigilo.
 
 Quem é essa pessoa?
 Sou eu.